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[É verdade?] Professor não precisa se curvar diante do imperador?

Dizer que no Japão a única pessoa que não se curva diante do imperador é o professor só revela a precariedade da nossa educação e a preguiça quase geral de buscar conhecer os fatos antes de acreditar em qualquer afirmação veiculada na internet.

Que a educação é muito valorizada na Terra do Sol Nascente, não temos dúvidas. Basta dar um Google e logo surgirão matérias detalhando a rotina escolar das crianças e jovens japoneses, o comprometimento dos pais no cotidiano escolar e, principalmente, a preparação de pessoas capacitadas para o magistério. A realidade é bem distante da nossa e, antes de idealizar, é sempre mais sensato colocar na balança elementos como cultura, política, desenvolvimento humano, entre outros.

Voltando ao imperador, cabe ressaltar que, além da cidadania, o povo japonês aprende desde cedo o respeito à coisa pública e às autoridades. O imperador é figura soberana no país. Até mesmo o professor curva-se diante dele. Sente-se no dever.

Minha curiosidade para atestar a veracidade da declaração surgiu quando vi uma unidade do Kumon publicar a imagem acima em seu perfil no Instagram. Para quem não conhece, o Kumon é um curso com método de ensino japonês, criado por Toru Kumon, um professor de matemática que pensou um novo modo de aprendizagem para o filho. O método propõe-se a assegurar ao aluno o autodidatismo, a autonomia e independência nos estudos, além de outros benefícios. Trabalhei em uma unidade Kumon e tenho muita reverência ao método, porém o equívoco da postagem não me passou desapercebido.

A publicação da unidade revela ignorância quanto às noções de comportamento do Japão. Na internet, bem no topo das pesquisas do Google, surge uma matéria do e-Farsas desmistificando a frase. Portanto, uma rápida pesquisa impediria o equívoco. Compartilhar uma frase só por que ela faz sentido sem conferir sua veracidade, não faz sentido nenhum! É preciso cuidado! Fora isso, devo concordar com uma expressão na postagem: “numa terra em que não há professores, não pode haver imperadores”. E, verdade seja dita: no Japão, Brasil, China ou em qualquer outro lugar, o professor é mesmo digno de toda reverência!

Saiba mais sobre a educação no Japão:

http://www.culturajaponesa.com.br/index.php/guia-japao/sistema-educacional-japones/

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-45738220

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